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terça-feira, 4 de abril de 2017

Chega de sofrência! É possível não ficar deprê morando sozinho

Esse texto não foi escrito pelo Pablo do Arrocha, mas é pura sofrência. Não, pera, não é bem assim… na verdade, é exatamente para você não precisar cair nessa armadilha da tristeza da solidão.
Querendo ou não quem mora sozinho, uma hora ou outra vai acabar se sentindo meio só. Afinal, não tem pra quem você contar as novidades do dia, o domingo à tarde às vezes pode ser meio deprimente e no final das contas aquela pizza que você pede pra matar a sua fome nem vai ser dividida com ninguém. É, amiguinho, como diria Alceu Valença, a solidão devora.
Quando passei a morar sozinha, confesso que o silêncio da casa me deixava meio perturbada, mas como a gente se acostuma com tudo na vida, depois de um tempo eu comecei até a apreciá-lo. Ainda assim, há que se tomar cuidado, para essa tristezinha que bate vez ou outra não vire algo mais pesado. Não dá pra bancar a Bridget Jones e se jogar no sofá cantando All By Myself toda santa noite, tá? Aliás, você sabia que no Brasil, nada menos que 10% da população sofre de depressão? É muita gente!


Então, como lidar com isso? É preciso ter em mente que ajuda profissional pode ser bem vinda. Fazer uma terapia, procurar um psicólogo para ouvir sobre sua rotina e ajudar a organizar os seus pensamentos pode ser uma estratégia muito útil e saudável. Mas no dia a dia existem pequenas atitudes que podem te ajudar. Vamos a elas:
- Ocupe-se: tenha um hobby, leia um livro, faça uma maratona de séries, vá correr. Evite passar muito tempo à toa ou o tédio pode tomar conta da sua vida. E lembre que a vovó dizia: “mente vazia, oficina do diabo”, é pois é… ela não estava muito errada. Um jeito muito legal e saudável de ocupar o tempo é praticando uma atividade física, pelo menos compensa uma provável má alimentação. Além do mais é uma boa para se socializar, fazer amigos, bater um papo. Praticar um esporte pelo qual você se envolva aumenta os níveis de endorfina e noradrenalina, que dão sensações de bem estar, afastando o mau humor e a tristeza.

- Escolha filmes alegres: olha, eu confesso que às vezes eu gosto de um filme triste pra chorar mesmo, aliviar a alma, descongestionar as vias, enfim, no fundo, no fundo existe uma menina chorona dentro de mim, rs… mas eu vou dar um conselho no maior estilo “faça o que eu falo, não faça o que eu faço”: evite essa programação! Tem dias que a gente já está se sentindo a última das pessoas, aí passa Marley & Eu na TV… não, amigos. Apenas, não. Troquem o canal.


- Não se renda à comida (muito menos à bebida): quem nunca, né? Dá aquela falta do que fazer, aí depois uma vontade de se entupir de Bis… ou você perde o sono à noite e desanda numa garrafa de vinho… Rs… Bom, de vez em quando, tudo bem, mas muita, muita atenção para que nenhuma das duas coisas vire rotina. Sua saúde não vai curtir e ficar doente morando sozinho, não é nada legal.
- Seja um bom amigo de si mesmo: lembra aquela música do Titãs que dizia “eu não sou um bom lugar, aqui eu já não fico mais”? Então, não vai rolar. Você tem que aprender a se acostumar com a sua própria companhia. Curta-se! Curta-se como quiser. Cozinhe para si mesmo. Faça uma geral nas suas coisas. Faça um dia da beleza. Ande pelado na casa. Sente-se no sofá com os pés em cima sem ninguém reclamar. Dance no meio da sala. Seja, acima de tudo, seu rei e seu reino.


- Tenha contatos: cultive seus amigos, colegas e parentes queridos. Converse, espaireça, convide-os para dar uma volta no parque, para tomar um tereré, para dividir um chopp e um pastel, enfim, socialize. Mas atenção: procure gente que te faça bem de alguma maneira e que possa adicionar aos seus dias. Essa dica, eu sei, vale pra todo mundo, morando sozinho ou não, mas mais ainda para quem está nessa situação. Não se isole, tenha com quem contar, nem que seja para dividir um programa de índio. Ah, e muito importante também, seja simpático com seus vizinhos, conviva bem com eles. É sempre bom ter com quem contar por perto.


E você, o que faz para despistar a solidão? Mande sua sugestão lá na fanpage do Casa de Um.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Dividir a casa com um desconhecido, rola?

Morar sozinho nem sempre é uma opção para quem pretende deixar a casa dos pais. Há quem não se adapte, quem não tenha condições financeiras ou simplesmente não queira viver em uma casa de um.

Enquanto algumas pessoas preferem morar em um pensionato, outros passam pela experiência de dividir o mesmo teto com amigos. Uma verdadeira prova de amizade, respeito e partilha.

A jornalista Hadassa Aguilera divide a casa com amigos desde 2012, mas já teve seus momentos de viver sozinha, uma experiência da qual ela não gostou nem um pouquinho. “Foram 5 meses, mas me sentia muito solitária. Eu deixava a tv ligada o tempo todo para ter barulho e quase todos os dias chamava algum amigo meu pra dormir em casa. Sem contar que tudo era sem graça. Não curtia cozinhar só para mim. Comecei a viver de escondidinho e lasanha congelada”, conta.
Mas as coisas mudaram muito em sua vida. Da total casa de um, ela passou a dividir o espaço com outras 11 pessoas ao se mudar para um hotel em Las Trancas, no Chile, onde foi trabalhar por 6 meses. Eram pessoas de vários países e culturas diferentes - brasileiros, mexicanos, argentinos, chilenos, franceses e bolivianos - das quais ela conhecia apenas uma, a também jornalista Gabe Mosena, que a acompanhou nessa empreitada. O alojamento era uma casa arredondada, conhecida como domo, e nele os quartos eram divididos em duplas. Eram 8 quartos, uma sala e cozinha e… para deixar o desafio mais completo, apenas dois banheiros!
Para organizar o convívio, apesar de os horários dos moradores quase nunca se coincidirem dentro da casa, algumas regras eram estabelecidas: cada um era responsável pela sua própria louça, não era permitido fumar dentro do alojamento, dentre outras que, segundo Hadassa, nem sempre eram cumpridas. Ainda assim, o convívio era muito positivo. “Estávamos no meio de uma montanha. Não tínhamos TV e a Internet era muito limitada, então usávamos a madrugada para confraternizar. Fazíamos pizza na fogueira à noite, jogávamos baralho, assistíamos filmes antigos. Éramos unidos, como uma família.”
Terminada a temporada no Chile, Hadassa voltou ao Brasil e foi morar em Bonito, onde também dividiu casa com amigos: uma ex-colega de faculdade, o namorado Daniel (um dos 12 moradores do alojamento em Las Trancas) e um colombiano. Ela gostou tanto de conhecer gente de fora que, nessa época, se inscreveu em um programa de couchsurfing, um projeto que visa a troca de hospitalidade entre seus membros, ou seja, você oferece um cantinho (ou um sofá, “couch” em inglês) para seu hóspede sem cobrar por isso.
“Aproveitei que estava em um lugar muito procurado para oferecer o sofá. Recebemos americanos, franceses e alemães. Era legal porque os quatro moradores da casa tinham essa coisa de conhecer outras culturas e a gente ainda aproveitava para praticar o inglês”
De Bonito, Hadassa mudou-se a trabalho para São Paulo e, mais uma vez, divide a casa com amigos. Dessa vez, os parceiros são um casal de irmãos já velhos conhecidos.
Para a jornalista, a principal vantagem de morar com mais gente é, sem dúvida, a companhia e ela admite que deu muita sorte em todas as suas experiências, pois acabou encontrando pessoas que tinham a mesma sintonia que ela. Para a boa convivência, Hadassa acredita que a regra de ouro é saber respeitar o espaço um do outro. “É diferente de quando você vai dormir na casa de um amigo uns dias e ele deixa você fazer tudo pra te deixar à vontade. É preciso ter jogo de cintura e pensar coletivamente. Tem gente que não gosta por isso: tem que pensar em tudo que vai fazer, porque às vezes pode incomodar o outro. Mas eu acho isso um baita exercício pra aprender a ver que existe um outro sempre ali... dentro de casa ou em qualquer lugar.”
Atualização: esse texto foi escrito em julho de 2015. Agora Hadassa divide a casa com o marido Daniel <3

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Juntou as escovas? Perante a lei isso é mais do que você imagina

Há um momento em que a Casa de Um pode ocasionalmente sentir aqueeeela vontade de multiplicar números e aumentar um pouco a conta. Normalmente isso acontece quando a criatura que mora sozinha entra num processo de “me apaixonei e parece que a parada é séria”.


O processo pode acontecer de várias maneiras. Tem aqueles casais que vão passando tanto tempo juntos, mas tanto tempo que acabam se aboletando na casa de um deles e começam a levar objetos pessoais, roupas… e aí vão ficando e quando percebem, pronto, estão morando juntos. Outros, são mais organizados, sentam e combinam data e condições para que essa divisão de moradia aconteça. Outros acabam juntando as escovas de dente por uma questão de praticidade e até de economia.
A verdade é que abandonar os hábitos de quando se mora sozinho para dividir a casa, não com um amigo, mas com alguém pelo qual você tem sentimentos românticos, é uma baita decisão na vida.
Segundo a psicóloga Juliana Canhete, juntar os trapinhos marca a passagem para a vida adulta e conjugal. “Envolve uma carga emocional muito grande, assim como qualquer mudança de vida. Em primeiro lugar é preciso ver se realmente se quer morar junto por expectativas de crescimento na relação e não para fugir da solidão ou deixar o lado financeiro mais tranquilo", diz.
Ela lembra que "existem pessoas que fazem a opção de morar com o seu parceiro pelo simples fato de quererem facilitar a vida e não em ter em comum uma vivência a dois. Antes de tudo é preciso fazer uma reavaliação desse relacionamento e se realmente o fato de irem morar juntos vai acrescentar nessa vivência. As pessoas esquecem que por trás dessa decisão existem sentimentos e expectativas colocadas em outro indivíduo. Muitas vezes essa decisão causa muitos problemas futuros que poderiam ser evitados com um pouquinho mais de paciência”, explica.
Para Juliana, o segredo para a decisão dar certo está em ter metas. Elas são fundamentais para o bom andamento em tudo na vida. “É preciso ver o que se quer para o futuro. Ter alguém para dividir a vida pode ser maravilhoso, mas isso vai depender do grau de amadurecimento de cada indivíduo e de comprometimento dentro dessa relação.”
A jornalista Bruna Lucianer já batia a marca de 10 anos morando sozinha quando decidiu morar sob o mesmo teto do professor Ian Rari. “Foi uma decisão que partiu um pouco dos dois. A questão é que eu precisava sair de onde estava, porque estava morando temporariamente na casa de uma amiga, até conseguir comprar um apartamento. Comecei a namorar o Ian e ele havia se mudado para a casa própria há poucos meses. Aí perdeu o sentido eu comprar ou alugar algo, já que percebemos que ficaríamos juntos. Então no dia 13 de março anunciamos o noivado para as nossas famílias e no dia seguinte eu me mudei pra cá”, conta.
O relacionamento tranquilo do casal ocorre também pelo fato de que os dois se dão muito bem e têm personalidades parecidas. Além disso, sabem dividir bem os problemas e a rotina que uma casa pede. “Pela primeira vez em 10 anos eu posso dizer que vivo tranquila e feliz nesse sentido. Eu dividi casa com quase 10 pessoas diferentes nesse tempo, e sempre havia uma dificuldade ou outra. Agora não”.
Casados - Mas você sabia que perante a lei, um casal que vive junto mesmo não sendo casado é visto como um casal normal, como se casados fossem? Com todas as garantias, direitos e deveres? Exatamente! É o que explica o advogado Hugo Fanaia de Medeiros. A grande diferença é que o casal que se casa, já no ato do casamento, terá total segurança jurídica em relação ao regime de bens a ser adotado, ou seja, a partir dali, ambos já sabem o que lhes cabe na relação.
“Já o casal em união estável poderá ter sua relação reconhecida em algumas oportunidades. Primeiramente, o casal pode ir ao Cartório Extrajudicial fazer um documento que se chama "Declaração de União Estável", no qual será previsto o regime de bens que será adotado; ou, se quiser detalhar um pouco melhor as coisas, é sempre bom contar com a ajuda de um advogado de confiança, nada impedindo que cada um possa ter o seu, para que seja feito um verdadeiro contrato, que é chamado de contrato de união estável, que posteriormente será levado a registro no Cartório.
Por fim, a união estável poderá ser reconhecida pelo Poder Judiciário no caso de separação do casal, o que se dá através de uma ação chamada "Ação de Reconhecimento de União Estável", no qual será verificado pelo juiz desde quando o casal está junto, o que lhes cabe de cada um, pensão alimentícia e até mesmo guarda dos filhos, se houver. Nesta situação, o regime de bens ficará como parcial, ou seja, somente os bens adquiridos durante a relação é que serão divididos, excluindo-se aqueles recebidos por herança”, explica.
Ah, e sem o contrato, até mesmo o padeiro do local onde o casal costumava comprar pão pode servir de testemunha de que havia uma relação conjugal. Sim! Basta que existam testemunhas que vejam o casal no seu dia a dia, reconhecendo-os como tal, vendo neles uma verdadeira família.
Hugo explica ainda que outras provas podem ser os prints das redes sociais (onde normalmente as pessoas mostram toda a sua vida), fotos antigas, o contrato de compra de um imóvel em conjunto, mensagens de Whatsapp. “Tudo isso, certamente, serviria para mostrar o tempo em que o casal esteve juntos e muitas vezes comprovar aquilo que eles construíram juntos, mas quem poderá verificar isto, de fato, será o advogado do caso.”
Por essas e outras, explica o advogado, mesmo morando juntos, essa atitude perante a lei é fundamental. “Importante lembrar que mesmo para casais que estão há muito tempo juntos, mas que ainda não têm qualquer documento que prove a união, nunca é tarde para ir ao Cartório regularizar a situação e, para aqueles que estão há muito tempo juntos, com sua união estável reconhecida, nunca é tarde para se casar também. É válido frisar que todas as regras se aplicam a casais homoafetivos também”, finaliza.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Catsitter é opção segura e cheia de amor para quem vai deixar o pet sozinho

Uma das grandes dificuldades de quando a gente mora sozinho e tem um pet em casa é a hora de viajar. Não é sempre que um amigo, alguém da família ou algum vizinho pode cuidar do nosso bichinho, por isso, logo surge aquele impasse: será que devo deixá-lo em um hotelzinho?

Pensando nisso, a publicitária Carol Valdez trabalha há um ano e meio como catsitter. Isso mesmo que você leu: catsitter. Em uma tradução bem livre, babá de gatos. A ideia surgiu da necessidade que ela mesma teve. "Eu não queria deixar meus 3 gatos em hotel pois lá eles ficariam em gaiolas fechadas, precisariam se deslocar do seu ambiente seguro e confortável, e isso para mim foi o "detalhe" que mais me incomodou".

Carol conta que gatos quando saem do ambiente onde estão acostumados, se sentem ameaçados. Eles não são como cães que se adaptam rapidamente, são delicados, meticulosos e alguns deles quando precisam ficar em hotel ou em outro ambiente estranho, chegam a parar  de comer, de fazer suas necessidades e até de tomar água. "Como sempre tive este cuidado com os meus, eu buscava alguém que pudesse cuidar deles na minha casa. Fui para o Google e encontrei uma Catsitter, porém em Salvado. Ela foi minha maior referência. Entrei em contato com ela, conversamos, trocamos muitos e-mails e a partir disso, me tornei uma Catsitter, pois aqui mesmo em Campo Grande eu não havia encontrado uma pessoa que me atendesse nesse ponto", explica.

O trabalho de Carol - que ela prefere chamar de terapia- funciona da seguinte maneira: ela se desloca até a casa dos tutores, assim não é necessário que o animal mude de ambiente. A visita é diária, dura em média 1 hora,e durante esse tempo ela busca fazer tudo que o tutor faz. "Limpo a caixa de areia, troco água, dou ração, faço escovação do pelos caso ele seja acostumado, faço recreação e interajo com o gatinho desde que ele esteja disposto, sem alterar a rotina do animal. O intuito é fazer com que o gatinho não se sinta abandonado com a ausência do seu tutor", explica.

Durante a visita, o tutor recebe informações sobre o bichano via Whatsapp, com envio de fotos, vídeos e, dependendo do caso, a catsitter liga para o tutor para passar o boletim sobre o bichinho. Cachorros também são aceitos, desde que sejam de pequeno porte, mas o foco do trabalho de Carol é mesmo nos felinos.

Cada vez mais gente tem buscado serviços como o de Carol. A catsitter afirma que isso acontece porque os pets acabaram virando parte da família das pessoas. "Percebo que quem me procura são aqueles que não os enxergam apenas como animais e sim, os consideram como filhos e não medem esforços para o bem estar deles. Acredito que contratar uma Catsitter é proporcionar qualidade de vida para o bichano"

Se você quiser conhecer melhor o trabalho de Carol, pode acessar seu siteou visitar a fanpage Cat Sitter MS - Babá de Gatos  


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Evelise Couto é jornalista e moradora da @casadeum.

Depois de amargar um tempinho morando sozinha, agora divide a casa com um noivo, dois cachorros e uma tartaruga.

Seu instagram é @evelise_


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domingo, 25 de outubro de 2015

Maior medo de quem experimenta morar sozinho é voltar para casa dos pais

Conversando com alguns amigos percebi que um dos grandes medos de quem vai morar sozinho não são as contas, nem a roupa suja que se acumula, muito menos encarar o fogão. O que eles não querem mesmo é ter que voltar à casa dos pais.

E muita calma nessa hora, pais, não é nada pessoal com vocês. Seus filhotes continuam os amando. O que rola é que, para muitas pessoas, voltar à casa dos progenitores só aconteceria em uma única situação: se o plano A - aquele de morar sozinho, independente e dono do próprio nariz - der errado.

Voltar ao ninho depois que já se aprendeu a bater asas e voar sozinho pode trazer algumas realidades embaraçosas. Há quem não consiga mais se adaptar à rotina de ter que dar satisfações sobre o que faz ou deixa de fazer, existem os que sentem que a privacidade que se tinha sozinho acabou e, o mais curioso de tudo ao meu ver, aqueles que não se encaixam mais e se sentem verdadeiros hóspedes na casa dos pais.

A Pri precisou voltar pra casa dos pais por um tempo.
Foi o que aconteceu com a enfermeira Priscila Vidal. Morando em São Paulo há 5 anos, houve um momento em que percebeu que teria que voltar para Campo Grande. “Surgiram alguns empecilhos e não fui madura o suficiente para enfrentar. Pedi arrego, mas sabia que não estava fazendo o certo. Mas pra saber a gente precisa fazer. Daí conversei com meus pais e decidi voltar com o apoio deles”, explica. O porto seguro que a relação com os pais proporcionava, no entanto, não deixou Priscila 100% à vontade.

Ela conta que não entendia, por exemplo, a mania que a mãe tinha de limpar tanto a casa, de cuidar dos móveis, como as louças eram guardadas, enfim… os detalhes do funcionamento da casa em que morou a vida toda deixaram de ser familiares para a enfermeira. Sem contar que essa volta significava uma certa frustração: “Eu era independente. Se não pagasse minha luz, cortavam. Morando com eles, não. Era cômodo e isso acabava comigo.”

O retorno à casa dos pais, por melhor que fosse sua relação pessoal com eles, durou pouco. Seis meses depois, ela decidiu voltar à Terra da Garoa e acredita que esse período ajudou muito em seu amadurecimento. “Voltei mais determinada, mais madura, mais compreensiva, principalmente com meus pais. Hoje sou mais pé no chão”, afirma.

Quem também deu adeus à vida longe do ninho foi a professora universitária Daniela Silva Costa. Em 2003, quando trabalhava em um banco, decidiu jogar tudo para o alto. Vendeu o carro, deixou o emprego e foi com um amigo morar em Birmingham, na Inglaterra.

Danny jogou tudo pro alto e foi tentar a sorte do outro lado do Atlântico.

“Morei lá oito meses, trabalhei de garçonete, lavei louças, fui babá. Sofri muito com a distância mas especialmente com o tratamento desleal dos portugueses que eram nossos gerentes. Não juntei nada de dinheiro porque, para juntar, você não poderia viver, então, conhecemos outras cidades, curtimos um pouquinho da Inglaterra”, conta.

Quando conseguiu um bom emprego e as coisas melhoraram, no entanto, precisou voltar para Campo Grande para fazer companhia para a mãe, que estava passando por problemas pessoais.

O baque de voltar à rotina foi grande: “É esquisito porque, de repente, você não manda mais na arrumação da casa, mal ou bem, volta a dar satisfações, mas foi maravilhoso, porque voltei pra cuidar dela e a vendo feliz hoje, sei que foi o melhor que fiz”, completa. Além disso, foi nessa época que Dani conheceu seu marido e hoje os dois têm a pequena Gabriela. Ou seja, Casa de Um, nunca mais!

Gostou desse post? Você pode conferi-lo também na editoria Lado B, do Campo Grande News, onde o Casa de Um tem uma coluna semanal! Não deixe de conferir!

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Evelise Couto é jornalista e moradora da @casadeum.

Depois de amargar um tempinho morando sozinha, agora divide a casa com um noivo, dois cachorros e uma tartaruga.

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domingo, 20 de setembro de 2015

Minha Casa de Um é feita com amor das pessoas ao meu redor #GuestPost

Revendo a minha trajetória rumo à minha “Casa de Um”, às vezes eu me pergunto se demorei muito para sair de casa. Foi com 25 anos, há um ano atrás! Em setembro de 2014 eu embrulhava meus parcos pertences e mudava de vez da casa dos meus pais para um canto só meu. Muita água correu debaixo da ponte, mas eis que eu decidi, finalmente, em agosto de 2014. Achei que era a hora e que eu poderia sair com um conforto legal. 



O que me ajudou muito na mudança foi o fato de que a casa que eu moro é da minha irmã mais velha, que mora em Três Lagoas (MS) atualmente. Eu cheguei a olhar algumas casas para alugar, apês em geral, mas pagar condomínio era uma coisa que me assustava. E a casinha estava lá, para alugar, todo esse tempo. Novinha, com tudo certinho: box nos banheiros, azulejada, até armário na área de serviço. E a sista falou: “hey, mora lá!”. Assim, ela poderia usufruir da casa quando visitasse a gente, o aluguel ficaria bem em conta pra mim, e não seria uma pessoa completamente estranha alugando. 

Em seguida, minha prima foi a mais empolgada e já me deu uma porção de coisinhas legais como um jogo de louças, bowls, paninhos de pratos, tapetinhos. Eu tinha apenas a minha cama e alguns pertences. Entrei na casinha sem nada, mas acredito que foi bom, pois a mudança foi muito suave. Eu não tinha quase nada pra levar. E minha casa se mobiliou rapidinho, sabe por quê? Porque eu vivo cercada de pessoas maravilhosas. 



Minha mãe me deu um armário de cozinha, um guarda-roupa, uma caminha de solteiro e um sofá. Reformei o sofá apenas, pois o restante estava em ótimo estado. A cômoda antiga foi emprestada. 




Aos poucos a casinha tomava forma. A irmã mais velha, além de ceder a casa, me deu a geladeira. A prima ainda me presenteou com uma mesinha de boteco (que eu pintei toscamente), panelas ótimas e com uma escrivaninha para o quartinho de visitas. Um amigo queridíssimo do Rio de Janeiro me mandou um fogão maravilhoso. Outra pessoa querida me deu uma cafeteira sensacional. Olha, sem eles, minha mudança não teria sido tão tranquila e feliz. 



Depois, cada amigo querido me deu uma coisinha. Ganhei formas de vidro para assar lasanha, porta guardanapos, tostex, enfeites, copos e tacinhas de vidro, quadrinho de lembretes... muita coisa fofa. 




Aos poucos fui decorando a casinha. Muita coisa ainda carece de arrumar, meu quarto precisa de mesas de cabeceira, acabei de conseguir comprar uma máquina de lavar (depois de um ano e com ajuda de mamai), quadros precisam de moldura, livros precisam ser guardados. Mas minha mudança me fez aprender que mesmo indo morar sozinha, eu jamais estarei sozinha. Foi gratificante de verdade perceber que as pessoas, ao notarem que eu estava realizando um sonho, se dispuseram a ajudar e ficaram felizinhas ao meu lado. 

Nada na minha casa é 100% novo. Mas tudo é envolvido de muito amor. <3

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Lyra Libero, 26 anos, jornalista com dois empregos que divide seu escasso tempo livre entre suas três gatas Luna, Pan e Pagu e na batalha para manter a casa livre de insetos e de energias ruins. Prendada na cozinha porém um desastre nos outros serviços domésticos. Gosta das pessoas sorrindo quando levam o garfo à boca, mas não convida ninguém para jantar e sim para “um rango”. Adora filmes no melhor estilo “food porn”. Munida de sua panela wok presente da avó, é imbatível nos risotos, massas e outras receitas.  

Seu Instagram é @lyralibero e você pode acessar seu blog aqui.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Na terceira idade, morar sozinho também pode ser um grito de independência

É comum quando falamos em morar sozinhos de logo associarmos essa situação com gente jovem, que saiu da casa dos pais ou que teve que se mudar para estudar ou trabalhar. Mas você sabia que, segundo dados do IBGE de 2012, ao menos 3 milhões e 700 mil brasileiros acima dos 60 anos moram sozinhos? É bastante gente, não é mesmo? Tenho certeza que você conhece ao menos um.

Se observarmos, grande parte deles eram pessoas que moravam com a família e que ficaram viúvos, ou cujos filhos foram se casando, saindo de casa até que acabaram, por fim, ficando sozinhos. Parece triste? Talvez pareça sim, mas não para todos eles. Para alguns, morar sozinho é sinônimo de independência e alegria. Pelo menos foi o que minha amiga Eliria Dieckow, de 66 anos, sempre transpareceu às pessoas que a conhecem.

Conheci a Eliria há uns 5 anos quando participava de uma comunidade do orkut para moradores de Campo Grande. Lá discutíamos de tudo, de futilidades a acontecimentos da cidade, de política a novela, de comportamento a discussões que, claro, não chegavam a lugar nenhum! Rs…
E ela estava sempre lá, participante, pronta para dar uma opinião. Confesso que demorei a descobrir a verdadeira idade dela, pois suas ideias eram sempre tão frescas que parecia mesmo que era jovem, como grande parte de nós, com a diferença que tinham muito mais sabedoria em seus comentários.
Eliria mora sozinha há 18 anos, desde que sua filha se casou, nesse entremeio, no entanto, dividiu algumas vezes a casa com familiares e tentou até engatar um segundo casamento, mas confessa que hoje valoriza muito a liberdade de morar só. “Faço o que gosto, na hora que me der vontade”, afirma categórica.
Disciplinada, não deixa de fazer suas refeições. Preguiça não tem vez por ali! Todos os dias, ela prepara seus pratos sempre preocupada em não desperdiçar. Quando pensa em um prato mais elaborado, reúne a família e divide com todos, o que também é uma maneira de estar mais próxima dos que ama. “Eu não me sinto sozinha nunca. Meus filhos, netos e meu bisneto sempre estão por perto, e quando eles não vêm aqui, eu vou visitá-los.”
Morar sozinha para Eliria é uma grande alegria, e fica a lição para muitos de nós que às vezes nos sentimos ‘forever alone’ e cheios de mimimi: é fundamental gostar de sua própria companhia. Amor próprio é item indispensável, cuidar de si mesma é algo que não pode ficar de lado nunca e acredita que seja por isso que viva tão bem. Ah, e fica a dica, corre no seu estojo, pega o marca texto e guarda bem essa frase incrivelmente simples da Eliria para o resto da vida: “Sou a pessoa que mais me ama.” Tenho certeza de que esse é o grande segredo desse sorrisão que nunca a deixa só.
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Evelise Couto é jornalista e moradora da @casadeum.

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terça-feira, 7 de julho de 2015

Chega de sofrência! É possível não ficar deprê morando sozinho

Esse texto não foi escrito pelo Pablo do Arrocha, mas é pura sofrência. Não, pera, não é bem assim… na verdade, é exatamente para você não precisar cair nessa armadilha da tristeza da solidão.

Querendo ou não quem mora sozinho, uma hora ou outra vai acabar se sentindo meio só. Afinal, não tem pra quem você contar as novidades do dia, o domingo à tarde às vezes pode ser meio deprimente e no final das contas aquela pizza que você pede pra matar a sua fome nem vai ser dividida com ninguém. É, amiguinho, como diria Alceu Valença, a solidão devora.
Quando passei a morar sozinha, confesso que o silêncio da casa me deixava meio perturbada, mas como a gente se acostuma com tudo na vida, depois de um tempo eu comecei até a apreciá-lo. Ainda assim, há que se tomar cuidado, para essa tristezinha que bate vez ou outra não vire algo mais pesado. Não dá pra bancar a Bridget Jones e se jogar no sofá cantando All By Myself toda santa noite, tá? Aliás, você sabia que no Brasil, nada menos que 10% da população sofre de depressão? É muita gente!
Nada de cantar All By Myself sozinha no sofá!
Então, como lidar com isso? É preciso ter em mente que ajuda profissional pode ser bem vinda. Fazer uma terapia, procurar um psicólogo para ouvir sobre sua rotina e ajudar a organizar os seus pensamentos pode ser uma estratégia muito útil e saudável. Mas no dia a dia existem pequenas atitudes que podem te ajudar. Vamos a elas:
- Ocupe-se: tenha um hobby, leia um livro, faça uma maratona de séries, vá correr. Evite passar muito tempo à toa ou o tédio pode tomar conta da sua vida. E lembre que a vovó dizia: “mente vazia, oficina do diabo”, é pois é… ela não estava muito errada. Um jeito muito legal e saudável de ocupar o tempo é praticando uma atividade física, pelo menos compensa uma provável má alimentação. Além do mais é uma boa para se socializar, fazer amigos, bater um papo. Praticar um esporte pelo qual você se envolva aumenta os níveis de endorfina e noradrenalina, que dão sensações de bem estar, afastando o mau humor e a tristeza;
Endorfina, baby!

- Escolha filmes alegres: olha, eu confesso que às vezes eu gosto de um filme triste pra chorar mesmo, aliviar a alma, descongestionar as vias, enfim, no fundo, no fundo existe uma menina chorona dentro de mim, rs… mas eu vou dar um conselho no maior estilo “faça o que eu falo, não faça o que eu faço”: evite essa programação! Tem dias que a gente já está se sentindo a última das pessoas, aí passa Marley & Eu na TV… não, amigos. Apenas, não. Troquem o canal;
Ooooohhhh!!!!!
- Não se renda à comida (muito menos à bebida): quem nunca, né? Dá aquela falta do que fazer, aí depois uma vontade de se entupir de Bis… ou você perde o sono à noite e desanda numa garrafa de vinho… Rs… Bom, de vez em quando, tudo bem, mas muita, muita atenção para que nenhuma das duas coisas vire rotina. Sua saúde não vai curtir e ficar doente morando sozinho, não é nada legal;
Carboidratos + solidão = barriguinha!
- Seja um bom amigo de si mesmo: lembra aquela música do Titãs que dizia “eu não sou um bom lugar, aqui eu já não fico mais”? Então, não vai rolar. Você tem que aprender a se acostumar com a sua própria companhia. Curta-se! Curta-se como quiser. Cozinhe para si mesmo. Faça uma geral nas suas coisas. Faça um dia da beleza. Ande pelado na casa. Sente-se no sofá com os pés em cima sem ninguém reclamar. Dance no meio da sala. Seja, acima de tudo, seu rei e seu reino;
Be happy!
- Tenha contatos: cultive seus amigos, colegas e parentes queridos. Converse, espaireça, convide-os para dar uma volta no parque, para tomar um tereré, para dividir um chopp e um pastel, enfim, socialize. Mas atenção: procure gente que te faça bem de alguma maneira e que possa adicionar aos seus dias. Essa dica, eu sei, vale pra todo mundo, morando sozinho ou não, mas mais ainda para quem está nessa situação. Não se isole, tenha com quem contar, nem que seja para dividir um programa de índio. Ah, e muito importante também, seja simpático com seus vizinhos, conviva bem com eles. É sempre bom ter com quem contar por perto.
Ter amigos é bom demais!
Gostou desse post? Você pode conferi-lo também na editoria Lado B, do Campo Grande News, onde o Casa de Um tem uma coluna semanal! Não deixe de conferir!
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Evelise Couto, 30 anos, jornalista e moradora da @casadeum
Depois de amargar um tempo morando sozinha, agora divide a casa com um noivo, dois cachorros e uma tartaruga. 


Seu instagram é @evelise_.

terça-feira, 9 de junho de 2015

O MacGyver que surge em toda Casa de Um #GuestPost

A necessidade faz o sapo pular. Ela também faz você carregar móveis se sentindo o The Rock, querer abrir um champanhe ao trocar uma lâmpada, se imaginar conversando com o Jô Soares pela façanha de ter matado uma baratona do tamanho de um urubu (ok, talvez eu tenha exagerado um POUCO só devido à minha fobia), querer colocar no currículo que você já aprendeu a manusear uma parafusadeira sem derrubar uma parede, dentre outras façanhas que você só aprende quando passa a morar só, principalmente quando falamos de mulheres, já que no universo masculino “deixa isso aqui que tá bom, ahh, depois arrumo esse, a meia tá limpa ainda, dá pra usar de novo...” dentre outras coisas que ouvimos dos mais desapegados.
You go, girrrrrl!!!!
Moro sozinha há quase um ano e meio, e o dinheiro, sempre contado desde o início me fez descobrir que tenho superpoderes. E que a força é mais forte em mim do que em qualquer personagem do Star Wars. 
Gambiarra level avançado
Talvez as situações mais divertidas tenham sido quando coloquei a cortina na sala, e o varão (que trouxe de outra residência que morei) era menor. E não tinha como comprar outro, aí o jeito foi improvisar. Depois de muito pensar, peguei duas garrafinhas de Coca-Cola, daquelas de plástico, não lembro de quantos ml, mas é menor que a de 600ml, cortei pouco abaixo do gargalo, enfiei no buraco de colocar o varão, enchi de papel dentro, e grudei o varão com silvertape. Até hoje ele só caiu uma vez, na minha cabeça, (assim como um capacete de moto também caiu do armário adivinhem em cima de quem!) mas tá tudo ok. Sobrevivi sem danos. Nenhuma das visitas até hoje notou esse detalhe, mas ri bastante quando mostro. 
 A outra situação não é tão divertida. Graças a essa mania idiota de jogar papel no vaso sanitário, um dia ele entupiu, de modo que nada fazia desentupir. Aí fui lá, toda faceira procurar no Google uma dica que salvaria a minha vida. E aí que entrou a Coca-Cola de novo (juro que isso não é publipost). Tinha um compromisso do qual estava atrasada, e antes de sair, comprei uma de 2 litros e joguei no vaso rezando à Odin para que quando eu voltasse já tivesse desentupido. 

Prometo parar de comer brigadeiro... não, pera...
Mas ele não ouviu as minhas preces, e lá vou eu ter que lidar com “aquilo” . Uma amiga deu a ideia, que também viu na internet de cortar um pedaço da garrafa, prender no cabo do rodo, e dar “bombadas” na privada. Na primeira bombada já supitou e caiu aquela agua nojenta no chão do banheiro, e como desgraça pouca é bobagem, a garrafa se soltou e ficou presa la embaixo. Eu juro que nunca senti tanta saudade da minha mãe nessa hora, e tudo que queria era pedir pra ela vir me buscar, e me dar colo e um chocolate quente. Porém, como isso estava fora da minha realidade (assim como chamar um encanador, marido de aluguel, qualquer criatura) eu tentei tirar com o cabo do rodo, e não só deu certo, como magicamente desentupiu. São situações como essa que me fazem crer em Deus, juro. 
Ufa!
Existem outras bem memoráveis, como quando manuseei a tal parafusadeira pela primeira vez, e demorei uns 10 min pra descobrir qual broca eu deveria escolher, já o parafuso da cama não parecia com nenhuma daquelas que eu via. Após isso, nada como carregar uma cama queen sozinha, e sentar no chão, e tentar levanta-la com o joelho enquanto encaixava um dos pés (que inclusive quebrou ao meio, e adivinhem como foi remendado), quando cortei meu dedo e tive crise de histeria com o sangue, e tive queda de pressão, quando em outro momento cortei outro e colei com superbonder para não ter que ir pro hospital, quando fui trocar a lâmpada e deixei ela cair e logo depois o suporte também. 
Enfim, talvez nem todos vocês passem por tantas aventuras assim, mas sei que sentem um pouco do orgulho que sinto a cada conquista em casa, a cada cantinho arrumadinho com a sua cara, a cada dica que descobriram e compartilham. 

Para quem está começando, eu apenas posso dizer para sempre terem uma Coca-Cola, uma silvertape, fita dupla face e superbonder em casa, pois não há limites para a gambiarra quando se possui esses itens. E que seja sempre leve e divertida a nossa aventura, e por favor, não se acidentem! 
Vlw flws!
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Nannarhara Bessa, 30 anos, Social Media. 
Goiânia de nascença, e atualmente brasiliense de coração, é tatuada, chocólatra, adepta da zoeira raiz, programas que saiam da rotina nerdices e HIMYM. 
Descobriu seu talento como MacGyver quando passou a morar sozinha. 
Também é  Mestre Pokemon.

Seu instagram é @howyourdadmetme.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Pensionato: uma experiência para ficar no coração #GuestPost

Depois de 3 anos de namoro, morei junto com Rodrigo por mais 2. Experiência bacana que vale um outro post rs. Quando o relacionamento acabou, tentei voltar pra casa dos meus pais (já que antes de morar com o namorido nunca tinha morado sozinha). Mas não teve jeito. Bastou uma semana pra eu me tocar: nunca mais vai ser como era antes. Não significa que era ruim, só não era igual. Foi quando me toquei que precisava de um canto meu. Tinha acabado de trocar de emprego, então tive medo de assumir o compromisso de um contrato de aluguel + iptu + contas de água e energia + mobília. A melhor solução foi encontrar um pensionato.

A gente não imagina a quantidade de pensionatos que existem em Campo Grande até procurar por um. Tem dezenas, de todos os estilos e faixas de preço. Visitei três, um ótimo, mas que era muito caro pra mim, outro que me deu o maior medo porque todo mundo tinha a chave de tudo e o Pensionato São Francisco, um antigo seminário de padres que há cerca de 10 anos é administrado por um casal muito fofo, Dona Raquel e Seu Zé, e seus dois filhos Tiago e Mari. Lugar tranquilo, bem localizado e com preço acessível.

Escolhi um quarto individual sem banheiro mas com varanda. Depois descobri que dei a maior sorte, pois o pensionato é mega concorrido e no período que fui procurar (abril), geralmente já está tudo lotado: pais e mães do interior procuram logo no início do ano e já reservam para as filhas que vem estudar na capital.

Essa era a vista do meu quarto. Como não amar?
Levei minha mudança no porta-malas do carro (não tinha nada mesmo rs), peguei um colchão emprestado de uma amiga (obrigada teté <3 ) e comecei a nova rotina. Se uma casa com 40 mulheres não tiver regras, desanda, logo, a gente tinha horário certo pra cada refeição, pra guardar o carro, pra usar a lavanderia... eu não tenho problemas com regras, mas confesso que tinha um pouco de vergonha, no começo, de dizer que não podia receber visita no meu quarto ou que se eu não estivesse no pensionato às 23h, ía ficar pra fora.

Mas, com o tempo, esses detalhes ficam insignificantes. De verdade.

Árvore bem em frente ao nosso portão. Linda de viver!
Conheci muitas pessoas nesse 1 ano e meio que fiquei lá. Meninas do Estado inteiro e até do interior de SP que vinham estudar, fazer cursinho, faculdade, mestrado... Vi muita gente chegar com aquela cara de assustada (até o primeiro café da manhã juntas ou a primeira sessão de novelas na sala de TV - tudo sempre a base de muita gargalhada) e vi muita gente também ir embora com lágrima nos olhos – eu mesma, inclusive.

Dona Raquel e Seu Zé adotam de coração cada uma das meninas, conversam, escutam, aconselham, ajudam, socorrem... cada uma das meninas se torna uma amiga-irmã e então vc perde as contas de quantas vezes fala bom dia pra mesma pessoa em questão de minutos (pq vocês se cruzaram no banheiro, no corredor, na mesa do café da manhã), perde as contas das caronas, das baladas juntas, das roupas emprestadas...

Morar em um pensionato é uma experiência interessante: você mora sozinha, se vira, tem sua rotina, não dá satisfações, manda no seu nariz, mas, ao mesmo tempo, você mora com um monte de gente que se preocupa com você e com quem você sabe que pode contar quando tá gripado, que vai te levar pro hospital com crise de rim ou que vai passar a madrugada acordada te ouvindo chorar com o coação partido, mas também que some com as suas roupas que estavam no varal, ou com a sua compra da geladeira.

A convivência era tão tranquila, que rolou até um Amigo Oculto
no final de 2013.
Essas experiências e esse equilíbrio entre as duas situações me proporcionaram mais tolerância, discernimento, segurança e a tão sonhada maturidade necessária para morar sozinha de vez – o que acontece hoje, e é melhor do que eu imaginava. Sem clichês.

Seu Zé, dona Raquel e seus dois filhos Tiago e Mariana.

Se você quer sair da casa dos pais e morar sozinho, mas não se sente 100% preparado pra isso, seja do ponto de vista financeiro ou psicológico, um pensionato pode ser uma excelente opção: é como se fosse uma fase de transição, e vale muito a pena. Além dos aprendizados você leva pra vida muitos amigos e muita história pra contar.


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Bianca Bianchi, 27 anos, jornalista. Adora sair pra balada e dançar, mas também valoriza o silêncio de uma tarde deitada na rede lendo um livro ou assistindo filme. Torcedora do Corinthians, entende mais de futebol que muito homem, dirige igual a um, mas no fundo, é uma mulherzinha. Odeia mamão.

Seu instagram é @bianca_bianchi

thanks for coming!

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